Diretor-geral da ANP festeja biocombustíveis e diz que pré-sal não pode ofuscar diversificação da matriz
Diretor-geral da ANP, Haroldo Lima espera realizar ate junho a 11ª Rodada de Licitações, que acabou não acontecendo em 2009. A oferta de blocos do pré-sal terá leilão exclusivo, o primeiro para contratos de partilha. Lima recebeu "Negóclos&Cla" para um balanço do setor em 2009. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Como avalia 2009?
HAROLDO LIMA: Foi um ano de grandes vitórias. As coisas estão indo bem. Passamos de um setor que, dez anos atrás, tinha participação de 2% do PIB para algo em torno de 11% hoje. Por outro lado, deu-se uma diversificação muito grande. Conseguimos êxitos extraordinários. Somos o único pals. do mundo em que o consumidor pode escolher entre três combustíveis (etanol, gasolina e gás natural). Somos também o maior produtor de etanol feito com cana de açúcar, o que nos dá um colorido verde importante. Passamos a ser o 4° maior produtor mundial de biodiesel e quintuplicamos a participação do gás natural na matriz energética, de 2% para 10%, desde 1990.
Mas o pré-sal chama a atenção...
HL: Sim, mas outras matrizes estão andando. É importante destacar isso, porque há um risco de o pré-sal ofuscar o esforço vitorioso na diversificação e purificação de nossa matriz energética.
O que achou do novo marco?
HL: Temos de comemorar os quatro projetos enviados ao Congresso. Estamos com três frentes para trabalhar. A primeira são os 149 mil km2 com baixo risco exploratório e alto potencial. Em 31 perfurações no pré-sal, 84% foram vitoriosas. No platô de São Paulo foram 11 perfurações, todas vitoriosas. No mundo, o índice de sucesso oscila entre 25% e 30% e no Brasil, de 30% a 40%. No resto do Brasil, onde ha regiões de alto risco exploratório e potencial incerto, · persistirá o contrato de concessão. Por fim temos as áreas maduras, que já produziram muito, estão em declínio e não despertam o interesse das grandes empresas. Isso vai descortinar o horizonte da pequena e média indústria.
A ANP foi esvaziada no novo marco?
HL: Esse e um discurso de quem foi contra a proposta. A ANP não foi esvaziada, ela dobrou suas funções. Continuaremos fazendo editais, contratos e regulação das concessões. E faremos tudo isso também para o pré-sal.
Como vê a briga dos estados pelos “royalties”?
HL: O presidente Lula chamou para si o tratamento dessa questão. Estamos acompanhando à distância. É uma questão política, que atrapalhou o timing da aprovação, mas não a cara do modelo.
2009 foi o 1º, desde 1998, sem leilão? A 11ª Rodada sai no 1º trimestre?
HL: Não sei se no 1° trimestre. Mas no 1º semestre, sim.
Se o Congresso aprovar os projetos, a 11 a Rodada pode ter pré-sal?
HL: Não. A licitação do pré-sal será especial. Seria a 1ª rodada em partilha da produção. Estamos estudando contratos para determinar o modelo.
De que países?
HL: Estamos com contratos de países do Norte da África, como Angola, e do Oriente Médio. Queremos conhecer, mas não vamos copiar nenhum.
FONTE: O Globo (Negócios & Cia - Flávia Oliveira)
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